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Capítulo 8
3.12.09 18:52

Stella vestia uma camiseta do Sonic Youth, que lhe caia dois palmos acima dos joelhos; por baixo, uma meia-calça preta. Eu a acompanhava. Vestia a camisa social que Nick me dera e uma meia-calça branca com rasgos irregulares sob meus joelhos. Nick vestia o seu paletó berinjela e Ian calçava um par de tênis amarelos.

Estávamos sentados na calçada e, fora a lua e as estrelas, nossas únicas fontes de luz eram o acender e o apagar de nossos cigarros. “Se este é o fim do mundo, porque não estão todos na rua, gerando seus próprios apocalipses ou sussurrando adeus?” Perguntou Ian, se levantando. “Estão todos muito cansados” Respondi. Ian deu quatro passos e se abaixou, pegando um saco que também descansava sob a calçada. Tirou uma garrafa de Absolut Vanilla de seu interior e ao som de um sorriso abriu-a. Tomou três goles. Voltou até nós, passou a garrafa para Stella que, também com três goles, passou-a para mim. Também bebi meus três goles, mas não a passei para Nick. “Que há com você, Sara? Passe-me a garrafa” Ele resmungou. “Você não bebe Vodka, Anjo” O encarei. Ele sorriu. Tirou a garrafa de minhas mãos, tomou seus três goles e falou “Não sei se esse é o fim do mundo ou só o começo de outro dia, mas hoje, Pequena Sara, eu definitivamente bebo vodka”.

Au nom
2.12.09 20:59

Embora os olhos inconstantes, que lhe dão a sutileza do amor; bem sei quanto lhe custou, forjar a vida. Diria: “Pois traga-nos a dor, que ela nos conforta! O céu, o inferno, de que importa? Estarei junto a ti.”

Em nome de teus silêncios, e do nada porderá nos separar.

Burguês
30.11.09 14:48

Estava extasiada, vaga. Poderia pintar a monotonia em teu semblante. Azuis ventos fluíam, por entre conversas de tons diversos. Vagavam rumo a olhos jamais vistos.

Em um delírio paralelo, não havia luzes ou vestígios.
Tremo ao ouvir o teu partir. 

26.11.09 19:39

Esse ano, conheci um menino que se intitulava louco. Hoje, percebo que ele é um dos humanos mais sãos que já conheci. Talvez um tanto quanto desequilibrado. Mas, a sua forma crua de ver o mundo era fascinante. Ou talvez fosse só eu..

Levanto-me para cair.
20.11.09 14:58

Permite-me dizer que tem algo de errado com esse lugar?
Podemos dançar em seu quarto. Chega desse romance, minha fuga se perdeu.

14:57

PARTIU-ME

Capítulo 7
14.11.09 12:28

Olhava, aflita, os borros de tinta que inundavam a tela a sua frente. Podia senti-lo a encarando. Logo ali, sentado na poltrona de veludo vermelho, a sua esquerda. Fingia estar entretido com um livro qualquer, mas a cada virar de página, ou gole de vinho, seus olhos se punham sobre ela.

“Pare de me encarar. Assim não vou ser capaz de produzir mais que borrões de tinta.” Ela falou, mordendo a ponta do pincel.

Ele se levantou da poltrona, caminhou até ela. Olhando-a nos olhos, tirou tudo aquilo que a vestia. Ela riu e, dizendo se sentir solitária demais sendo o único ser humano nu do cômodo, tirou também as peças de roupa que o escondiam.

Pegou o pincel que ainda era pressionado pelos dentes dela. Mergulhou-o na tinta vermelha. Pintou-a da ponta dos pés a pinta no olho esquerdo. Ela fazia o mesmo. De azul, da cova esquerda aos calcanhares. Quanto aos lábios, foram os únicos que, entre beijos, resistiram às cores.

Por fim, deixaram seus corpos cansados caírem sobre o sofá. Sofá, que antes era apenas um velho sofá de lona branca, era agora o sofá mais lindo do mundo.




Decisões tomadas para sempre
Rejeitadas no minuto seguinte


Sofro de enjôo instantâneo constante, sobre tudo e todos. Não acredito em amor a primeira vista assim como não tenho facilidade pra amar. Por outro lado, não consigo deixar de amar. (E não entendo como alguém consegue). Wannabies e meninas doceiras me dão enjôo. Apesar de às vezes reclamar da minha vida, tento evitar ao máximo o egoísmo. Sofro de insônia e sempre preciso de alguém que me de sono pra conversar quando ela chega. Gosto de animais lesados e de pessoas verdadeiras. Não suporto hipocrisia, apesar dela ser constante em minha vida. Minha banda favorita é blink-182 e poderia passar horas falando sobre ela. Meu livro favorito é GO e estou sempre o relendo. Não gosto de usar exclamações quando elas não estão acompanhadas por uma interrogação e sou viciada em leite. Para mim a pior sensação é a de impotência, e frenquentemente uso um band-aid colorido no joelho direito para dar sorte. Não tenho uma cor favorita e sou fascinada por estrelas náuticas. Acho que a vida é feita de silêncios compreendidos e sei que sempre acabo como um ser sem sentido e cheio de sentimentos. Nós vivemos em um mundo onde as pessoas não sabem mais diferenciar sentimento de sentimentalismo e isso é tão terrível que me fascina. Guardo lembranças em uma caixa e carrego nomes em palitos de fósforo no meu bolso. Tenho uma coleção de CDs e espero passá-la pra alguém antes de morrer. Quero ser cremada e jogada no oceano atlântico, mas antes disso quero beijar alguém com a língua bifurcada. Tenho pesadelos periodicamente, e eles realmente me atormentam. Odeio o cheiro de Sex On The Beach e a palavra "Pipoco". Sou compulsiva pela palavra sorriso e por cheiros. Recentemente descobri que meu porteiro quer colocar minha familia contra mim. Não funciono com pessoas rasas e adoro "joguinhos". Nunca me convenci de que quero ter filhos e o primeiro álbum que ganhei, consciente, do meu pai foi o Relayer do Yes. Tenho problemas com qualquer coisa relacionada à morte e já pensei seriamente em me congelar com as pessoas que amo antes que ela chegue. Já fui a três enterros, mas o que mais me comoveu foi o do meu primeiro animal de estimação. Nomeei um planeta de estrela e a tomei como minha. Sou completamente apaixonada por coisas cítricas, apesar de ter gastrite. Gosto de relacionar minha vida a cores e sempre faço pedidos quando vejo números repetidos em um relógio. Pra falar a verdade, faço pedidos pra praticamente tudo.